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VERA NORONHA

| PRECIOSA |

PROMETIDA  DESDE  O  VENTRE, 

BISPA VERA NORONHA, 63 ANOS,

VIVEU  O  PESADELO DA VIOLÊNCIA 

EM SILÊNCIO. MAS HOJE, É UM CANAL 

DE  CURA  PARA  OUTRAS  PRECIOSAS

FILHA  DA  PROMESSA

No dia 20 de Janeiro de 1958, nascia Vera Noronha, em Miracema, Rio de Janeiro, cidade da bisavó, lugar que  frequentou até a morte da bisa, após isso, nunca mais voltou para sua cidade natal. 

 

Antes do nascimento de Vera, sua mãe não tinha recursos e ela tinha problemas no útero, sofrendo dois abortos espontâneos. Os médicos já haviam decretado que ela não podia ter filhos ou teria que fazer uma cirurgia no útero para poder engravidar, como os pais de Vera  não tinham condições para realizar o procedimento cirúrgico, a mãe de Vera clamou ao Senhor e fez um voto,  prometendo que se ela tivesse uma filha, esta seria uma “ ministra de Deus”. 

 

Então, nasceu Vera, a filha da Promessa, filha única e consagrada ao Senhor desde o ventre. 


 

Nascida de sete meses, seu berço era uma “caixinha de sapato”, tamanho 36, lugar que dormiu até os seus 3 meses de vida. Mesmo muito pequena e com necessidades de cuidados médicos por ser prematura, a mãe optou por cuidar da filha em casa, à base de  jejuns e orações. 

 

Até os 4 anos, Vera viveu uma infância “muito boa”. Vera traz lembranças positivas, até o momento da morte de sua mãe, aos 4 anos de idade.

 

 “ Eu sou a filha da Promessa, como Samuel. Minha mãe e meu pai eram um casal evangélico 

( o pai aceitou Jesus aos 15 anos, e a mãe aos 12 anos) ela foi sua primeira namorada, e ele o primeiro namorado dela, se casaram e a minha mãe trabalhava em uma casa de Classe Alta como empregada doméstica desde os 8 anos de idade, ela era considerada da “família”, essa família era branca, católica e espírita kardecista, e a minha mãe evangélica, mas nunca houve intolerância religiosa “entre eles”, segundo Vera, havia o respeito mútuo entre as crenças. 

 

“Aprouve Deus recolhe-la”, o Senhor a recolheu para que ela não viesse se perder, porque ela olhava muito para os defeitos das pessoas. Ela olhava para a fidelidade de Deus, para a excelência de Deus e se decepcionava muito com as pessoas, ela achava que as pessoas tinham que ser mais íntegras diante de Deus. Então, quando ela se decepcionava com as pessoas, ela se afastava da igreja e quebrava o voto feito, de não olhar para os defeitos das pessoas”. 

 

Vera era muito apegada com a sua mãe, e aos 4 anos não sabia que a mãe tinha falecido.

 

Vera dizia:

 

 “Parem de falar, porque minha “mãezinha” está dormindo. Vera lembra até hoje da roupa que a mãe usou no seu velório, vestida com um vestido de flores que usava para cantar no coral da igreja. 

 

Vera dizia:

 

 “parem de fazer barulho, porque minha mãe está cansada, ela lavou muita roupa ontem:: 

 

  • Mãe acorda, a senhora vai passear?

 

Então explicaram para ela que sua mãe foi conversar com Deus na casa de Deus. Tamanho foi o trauma que Vera entrou em um coma induzido, acordando apenas após dois dias.

FOTO |  DIA  DE PRECIOSA / DEBORAH   GOMES 

FOTO |  DIA  DE PRECIOSA / DEBORAH   GOMES 

FOTO |  DIA  DE PRECIOSA / DEBORAH   GOMES 

FOTO |  DIA  DE PRECIOSA / DEBORAH   GOMES 

Segundo Vera, os pais não brigavam, os pais se davam muito bem, em tudo conversavam. O pai era presbítero de uma igreja e por conta da morte da mãe  ficou “desorientado”, e teve que fazer tratamento psicológico e psiquiátrico. 

 

O relacionamento dos pais era maravilhoso. 

 

Filha única, Vera não tem irmãos. Criada pelo pai e pelos padrinhos, Vera cresceu na casa dos padrinhos brancos e de classe média alta, em um sítio e aos finais de ano, ia para a casa do pai passando meses com ele. O pai a visitava ao longo da semana. 

 

Após 8 anos vivendo na casa dos padrinhos, dormindo em um quarto de luxo e sendo tratada como uma filha, o carma vivido pela mãe, enfim, foi passado para a Vera, menina negra e mãe da empregada, aos 8 anos, Vera foi tratada como escrava, pois seus padrinhos a colocarem para lavar, limpar a cozinha e arrumar a casa. 

 

“Ela me botava em cima de um banquinho para lavar louça, arear panela, lavar piso”, disse Vera, que mesmo a casa tendo uma empregada doméstica, sua “madrinha” a tratava da mesma forma. 

 

“Eu tinha que lavar tudo e deixar tudo impecável para poder tomar banho e ir dormir”. 

 

Aos 12 anos, Vera estudava em um colégio estadual, longe do local onde morava. Mesmo assim, para tentar fugir do trabalho escravo  infantil imposto pela madrinha e querendo ter o seu próprio dinheiro para ajudar o pai e a avó, Vera implorou para a diretora deixá-la estudar à noite, e mesmo não sendo permitido, aos 13 anos, Vera foi a única aluna a estudar com essa idade no período noturno. Após isso, pediu ao padrinho que arrumasse um emprego para ela. Logo em seguida, Vera passou a estudar à noite e trabalhava durante o dia em uma Joalheria. E mesmo trabalhando fora, ela era obrigada a arrumar a cozinha da madrinha, que passava o “dedinho” para verificar se estava do jeito que ela queria, se não estivesse, Vera era obrigada a fazer tudo novamente. 

 

Sua alegria e folga eram as viagens no final de cada ano para a casa da avó e do pai. 

 

“Não fazia nada lá, só brincava muito. Brincava de amarelinha, brincava de pique, brincava muito, então era muito bom, muito bom mesmo”. 

 

Quando Vera nasceu a dona da Casa, que tratava sua mãe como da “familia”, pediu para a mãe de Vera para ser sua madrinha, mesmo apresentando-a na igreja evangélica, eles passaram a ser os padrinhos de Vera. 

 

No dia de sua consagração ao Senhor, ela prometeu que daria toda assistência como uma “mãe”, e elas fizeram um juramento diante do pastor: 

 

“Se um dia eu vier faltar, você vai cuidar da minha filha, como se fosse sua filha?”, e o casou respondeu que “sim”. 


 

Todavia, o  Presente de 15 anos da Preciosa  foi uma “coça” da madrinha. 

 

“Meu pai e minha avó não tinham dinheiro para fazer uma festa de 15 anos, mas me prometeram fazer um bolinho. Antes disso, minha madrinha faria primeiro e depois eu iria para a casa do meu pai, mas neste dia eu estava com muita cólica menstrual, e a minha madrinha perguntou pra mim: 

 

“Por que essa cólica toda? Você está fazendo um aborto?”

 

“Essas palavras me feriram profundamente”.

 

Vera, que dormia em um quarto lindo, onde muitas pessoas que visitavam a família  suspeitavam que ela era feliz, mas não era. Para Vera, essas palavras foram uma ofensa, porque ela era virgem e sua madrinha estava tentando acusá-la de que ela era uma menina impura. Ela chorou muito, e a respondeu pela primeira vez:

 

_ O que a senhora quer dizer com isso? Que eu sou uma qualquer? Porque eu estou com dor, eu estou fazendo aborto? Eu não sou uma qualquer, não. Se a senhora acha que eu sou uma qualquer, me manda embora daqui logo, porque assim não dá. Do que adianta ter esse quarto bonito, vivendo de aparência e a senhora me maltratando assim? 

 

E ela retrucou: Você está me respondendo?

 

Vera respondeu: Estou, e com muita dor. 

 

Neste dia, Vera apanhou muito, e o bolo de aniversário, a madrinha  jogou fora. 

 

Chorando ela respondeu: 

 

 “Eu vi, quando a minha mãe falou com você, que se algo acontecesse comigo, você disse que cuidaria de mim. Pois é, antes da minha mãe morrer, ela perguntou para a senhora se você  iria cuidar de mim como uma filha.” 

 

E isso só enfureceu mais a Dona Jacira, que voltou a bater mais em Vera, a trancou no quarto de castigo, e no dia seguinte, ela não ia trabalhar e o pai dela não iria pegá-la, então ninguém   viu os ferimentos e a brutalidade pela qual foi tratada e como ela ficou machucada. 

 

Depois, Dona Jacira pediu desculpas, e somente após duas semanas ela o perdoou. 

 

Mesmo estando triste, Vera não contou para ninguém. 

 

“Eu louvo a Deus que desde novinha, eu sempre tive muita facilidade de perdoar as pessoas, porque Deus já tinha um propósito, né? A filha da Promessa, porque Deus já tinha um propósito”, diz Vera sorrindo. 

 

Antes da morte de sua mãe, Vera era tratada como uma Princesa pela mãe, e a madrinha só fazia tudo por aparência. 

 

Vera sempre foi uma criança e adolescente “muito presa em casa”, por isso, ela saia pouco. Ainda assim, conheceu seu primeiro namoradinho: 

 

“Já na minha adolescência, quando eu fiz mais ou menos uns 15 para 16 anos eu tive o meu primeiro namoradinho, escondido de todo mundo, porque as jovens de hoje não são as jovens de 63 anos atrás. 

FOTO |  DIA  DE PRECIOSA / DEBORAH   GOMES 

Com o passar do tempo, continuou estudando e trabalhando. Aos 18 anos, teve o primeiro namorado sério, noivando e namorando por quase 3 anos. Já havia escolhido o vestido de noiva e começou a pagar a prestação do vestido, quando  ela descobriu que ele estava traindo-a. 

 

Faltando 2 meses para o casamento, tudo já estava pronto, a única coisa que faltava na sua casa era o armário da cozinha. Vera conversou com a garota e terminou o noivado. 

 

Na época, ela fazia enfermagem e ele estava terminando a faculdade de engenharia. Os  planos era continuar estudando porque o seu sonho era ser médica: 

 

“Mas, foi difícil pra mim, entrei em depressão. Fiquei muito mal. Tranquei a faculdade (...) foi horrível, pra piorar, minha avó faleceu e o meu pai ficou mais “desorientado” mentalmente”. 

 

Aos 21 anos, ainda trabalhando como empregada doméstica na casa da madrinha, Vera decidiu  sair de casa e foi morar em uma casa para “meninas estudantes”.

 

Já nessa época, Vera dava aulas e ajudava pessoas. Sem condições para continuar a faculdade, Vera fez vários cursos técnicos de enfermagem. Após 3 anos do término do relacionamento, Vera ainda estava muito machucada pela traição e, por meio de uma amiga, conheceu seu marido, o agressor. Todavia, os planos ainda eram de ficar sozinha e sonhava em ter uma casa só pra ela, o que era difícil, pois não tinha condições financeiras na época. 

 

A irmã de seu marido contou todo o histórico do irmão, que ele era “pagodeiro”, bebia e perguntou se “ela ia encarar!”. Na época, Vera não sabia se o marido já havia agredido a mãe de sua filha, mas decidiu “encarar”. Casou-se apenas no cartório, sem festa, pois não tinha condições para fazer uma festa.


 

Seu marido já era divorciado e tinha uma filha. Seu casamento aconteceu de forma rápida, em 8 meses namorou, noivou e se casou. Durante esse período, já inclinada ao cuidado e orientação, Vera  auxiliava o marido a se reaproximar da filha. 

 

A Preciosa se casou virgem e os seis primeiros meses de matrimônio foram “ótimos”. Na época, Vera que havia crescido na crença "espírita kardecista”, ensinava e era atuante no Centro que frequentava, já o seu esposo deixou claro que “não tinha religião, mas acreditava em Deus”, e não iria atrapalhar sua fé. 

 

Com 6 meses de casamento, o marido passou a ter uma vida boemia, saía para os “pagodes”, antes de chegar em casa “passava em bares e botequins para beber com os colegas”. Até então, os planos combinados pelo casal eram de trabalhar e juntar dinheiro para sair do aluguel e comprar uma casa própria. 

 

Aos 25 anos, Vera engravidou e não sabia. Na verdade, soube através de um amigo da família que o seu esposo tinha sofrido um acidente, onde o ônibus passou por cima da perna do esposo, Henrique. Mas, esse amigo era muito brincalhão e Vera pensou que ele estava brincando, e ela riu ao saber da notícia. Logo em seguida, o amigo bateu em sua cara e ela desmaiou, sendo levada para o mesmo hospital onde estava o marido. 

 

De acordo com informações dadas por um médico, o marido caiu da porta do ônibus e o veículo passou por cima dele, sofrendo mais de três fraturas, o que o levou a perder uma perna. Hospitalizada, Vera descobriu a situação do marido e a perda do seu primeiro filho devido ao susto que levou. 

 

Durante a recuperação, o marido “ficou bonzinho”, atencioso, “aquele marido que Vera havia se casado”, mas ao se recuperar, voltou para a vida boêmia. Músico, o marido tocava cavaquinha e dançava , ao ponto de ganhar prêmios por apresentações, o que acabou voltando também foram as agressões verbais e a falta de atenção e carinho. 

 

As agressões começaram com “palavras”, quando Vera questionava sobre os motivos dele “chegar tarde em casa” ou chegar no outro dia. 

 

Aos 27 anos, Vera engravidou do seu primeiro filho. Enfermeira, Vera fez os exames para confirmar a gravidez. Super feliz, quando revelou que estava grávida para o marido, ele disse: 

 

“Você é enfermeira. Come essa coisa que está aí com angu”. 

 

Aquilo foi “horrível” para Vera, ela ficou péssima e entrou em depressão, porém lutava pela vida do filho. 

 

Após esse episódio e completamente desolada, foi atrás do pai e das amigas, mas nunca contou o que ele disse e, muito menos, sobre as agressões para o seu pai. Para ele, Henrique era o “genro dos sonhos”.

 

-----‘quando o pai chegava em casa, ele mudava da água para o vinho, parecia o marido perfeito’

 

Durante a gravidez, o marido sequer tocava em sua barriga, só perguntava “você está bem?”. Sua única qualidade é que ele não deixava faltar nada em casa. Ele não deixava faltar nada. 

 

No segundo mês de gravidez, Vera foi convidada pela cunhada para ir em uma igreja. Mesmo sendo criada nas igrejas evangélicas, Vera já tinha ouvido falar de Jesus, mas não “andava com ele”, e foi nesse período que conheceu Jesus. 

 

Por um lado, conheceu o Salvador, de outro, sua gravidez  não foi boa, pois sofria por não ter atenção do marido, mas ninguém sabia de nada. 

 

Quando o filho nasceu, “ele ficou louco, apaixonado pelo  filho”. Ainda assim, não parou a vida boemia. Vera, já nos caminhos do Senhor, começou a trilhar o ministério de liderança fazendo seminários, formando-se em missionária e foi consagrada a pastora. Após 2 anos, engravidou de sua filha, e essa gravidez foi mais tranquila. Mas, a vida boêmia continuou. 

 

Após 6 anos do nascimento dos filhos, Vera já havia se entregado integralmente para a obra do Senhor e foi chamada para ser “pastora”. Por revelação, Deus havia prometido que lhe daria uma casa e a  tiraria do aluguel. O marido ficou incrédulo, mas ela conseguiu comprar a casa que era justamente a escolhida por Deus para ser um lugar de adoração. Até hoje,  Bispa Vera mora na casa.

 

A casa tinha uma garagem e foi ali que ela deu início ao seu ministério pastoral, abrindo uma igreja. Com dois filhos pequenos e um marido “prostituto”, pois tinha amantes e vivia nos bares.  No começo foi muito difícil, diz, mas disse “Eis me aqui”, e Vera começou a obra de Deus, assumindo a liderança da igreja. Usada em “cura e libertação”, Vera viu sua garagem lotada de pessoas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Todavia, sofria a violência religiosa, caso tivesse algum membro ou fiel da igreja quando o marido chegasse em casa. Segundo ela, ele  a xingava e brigava, mas ele sempre soube do chamado da esposa e havia concordado, só que “o preço foi alto”. Ele ficava em casa, dava socos nas paredes, brigava, xingava e a ofendia. Após muita luta, Vera construiu um andar de cima, onde mora até hoje, e a garagem se consolidou como “Igreja Pentecostal Socorrista do Senhor"

 

Vários casos sérios de violência doméstica sofridos por irmãs da comunidade chegavam até ela e  pediam sua ajuda.  Até então, Vera nunca havia falado sobre o marido para ninguém, quando decidiu falar com o seu pastor, pelo qual foi consagrada, primeiramente ouviu o conselho da esposa do pastor: : 

 

“Olha, pastora Vera, Cristo sofreu por nós e nós temos que sofrer por outras vidas, isso tudo o que você está passando é um objetivo que Deus tem na vida do seu marido.”

 

Na época, Vera não aceitou, e retrucou com a esposa do pastor, que ela não ia aceitar sofrer por causa do marido. 

 

“Há uma palavra no Livro de Mateus que um menino sofria e perguntaram para Jesus “ Quem pecou, foi ele ou os seus pais”? E Cristo responde que não foi ele e nem os pais que pecaram, e tudo será para a sua glória. Ou seja, não é o meu pecado ou o dele. O que aconteceu é que “eu escolhi ele para casar, sem conhecê-lo, com 7, 8 meses eu namorei, noivei e casei”. Era pra eu ver primeiro, ter conhecido, investigado quem era ele. Mas foi uma escolha minha, eu não tinha Jesus, não estava com Jesus. Então, estava vivendo as consequências das minhas escolhas,  mas não aceitava as agressões. 

 

O que os pastores não era que nesta época, Vera já sofria brutais agressões físicas: 

 

“Só que eles não sabiam que nessa época ele torcia os meus braços ao ponto de ficarem roxos. Durante o culto, eu colocava blusas de manga comprida, porque ficava com vergonha, as agressões físicas começaram assim”, diz Vera. 

 

Vera falava pra ele: 

 

Veja o que você está fazendo, rapaz, porque a Palavra de Deus é bem clara “ ai daqueles que tocam nos ungidos de Deus”, você  toca emocionalmente,  verbalmente, e olha como você me agride e toca no meu  físico “, e calada, permanecia sofrendo e orando.  

 

Seus filhos não viam nada e ninguém sabia dos maus tratos. Vera passou tudo calada, nunca contava nada para ninguém, muito menos para as pessoas na igreja. Vera chegava na igreja sempre de cabeça erguida, com sorriso, sempre ouvindo e aconselhando. Com as mulheres que sofriam agressões, Vera sempre manteve contatos com delegados da  Polícia local que recebiam as vítimas, fiéis da Igreja para realizar as denúncias.  Ela ia com elas para a delegacia, mesmo ”passando por isso dentro de casa”. 

 

“Nunca falou com ninguém”. e seu ministério continuou crescendo, e “Deus abençoando, pessoas eram curadas de Aids e câncer. Duas crianças já foram ressuscitadas, e Vera tem o dom de cura. Sempre, Vera orava para Deus que não aceitava que ele fosse para o “inferno”, já que Deus usava a vida dela para a conversão de tantas outras pessoas, porque ela não conseguia alcamçar o próprio marido? Então, Deus lhe fez uma promessa, “que conhecia o coração de Vera e que o seu marido não iria para o inferno, mas Deus trataria ele da sua maneira”. 


 

“O meu pai nunca me deu um tapa, nem a minha avó, só apanhei  da minha madrinha, eu não podia aceitar.”

 

Em um domingo de manhã, após a escola bíblica Dominical, três pessoas haviam aceitado a Jesus, e logo quando cheguei em casa, ele começou a discutir e naquele dia eu olhei pra ele e disse: 

 

“Você está na mão do meu Deus”, em seguida, “ele me deu um tapa no rosto”. 

 

Quando ele me deu um tapa, a filha veio correndo e ele acabou agredindo  a filha e a esposa. Foi a primeira vez que os filhos viram as agressões. 

 

“Meu filho derramou uma lágrima e correu para o quarto”. Eu fui vê-lo, então, ele colocou a mão no meu rosto e disse: 

 

  • Mãe, eu vou crescer e esse cara nunca mais vai fazer isso com a senhora. A senhora adora a Deus, a senhora prega, cuida de crianças, e eu vou cuidar da senhora. 

 

Hoje, seu filho é um evangelista, líder espiritual  e pastoreia a igreja com a mãe. Mas, nesta época, Vera começou a orar pela vida do Filho: 

 

“Eu comecei a orar pela mente do meu filho, para que Deus apagasse e o diabo não aproveitasse essa brecha e ficasse um espírito de vingança” na mente dele. A minha luta no mundo espiritual foi pela vida do meu filho, mas eu apresentei isso pra Deus. E o Senhor pediu que eu liberasse perdão sobre a vida dele.”

 

Nesse mesmo dia, em resposta à violência, Vera quebrou um relógio recém comprado do marido. Depois, ele saiu e ela o viu chorar. No mesmo momento, Vera orou e disse: “Senhor ele está em Tuas mãos, e eu quero ver a tua justiça. Mas, Deus pediu para eu liberar perdão, não é fácil, não é de um dia para o outro. 

 

“Eu tive oportunidade de me divorciar dele, porque eu tinha respaldo bíblico para isso: traição, agressão, não havia problema nenhum em me separar, mas eu pensava “terminar de educar os meus filhos sem o pai? Ele não presta, não, mas é pai.”


 

Igreja 

 

Antes da abertura da  igreja,  foram 3 meses de jejum e oração, palavras, onde iam irmãs orar no local para a abertura e preparação espiritual do ambiente. Neste período, ela sempre pedia permissão para o marido, pois “Deus não é Deus de contenda, é Deus de paz”, era 4h30 da manhã, e a bispa estava cobrindo as crianças e acabou esticando a perna, e ele disse: 

 

  • Já estou indo. 

 

E ela respondeu: 

  • Vai com Deus.

E ele respondeu: 

  • Essa história de “Deus” já está enchendo o saco. Até quando vai ficar em oração?

  • E ela respondeu: Até quando o meu Deus permitir. 

Então, ele deu um pisão no tornozelo dela. Em seguida, para não acordar as crianças, ela aguentou as lágrimas que desciam. Sentindo muita dor, viu que o tornozelo ficou inchado e roxo. Haviam algumas orando, mas elas  não ouviram nada. O que aconteceu foi um momento espiritual,  uma delas me encontrou na cozinha chorando, e na hora Vera respondeu que havia  “batido na parede”. Na hora, a irmã respondeu: 

 

  • Essa parede vai ser cobrada. Porque essa “parede” está tendo atitudes que não é do agrado de Deus. Então, diante da escolha e atitude dessa parede, você vai ver o que vai acontecer lá na frente. 

No dia, a Bispa que já tinha experiência como enfermeira, ela própria fez o curativo e enfaixou o tornozelo.

 

Ele era um homem forte de dois metros de altura e ela pequenininha. A casa sempre esteve arrumada, o guarda-roupa dele era mais arrumado do que o da bispa, ela dava a comida na mão dele e servia-o todas as noites que ele não dormia fora de casa com as amantes. 

 

No mesmo dia, ele voltou pra casa e o Espírito Santo de Deus pediu que a pastora pedisse perdão para ele. Em um diálogo interno com o Espírito Santo, ela respondia:

 

  • “O Senhor tem que fazer isso. Porque por mim, eu dava um soco nele’, mas quando nós somos dirigidos por Deus, é Deus que faz tudo.

  •  

Então, ela colocou a mão na perna dele e disse:

  • Filho, você me perdoa, em nome de Jesus, porque eu tenho feito e falado coisas que tem desagradado você. 

  •  

Na hora, ele levantou e disse: 

-Muito bem, é assim que você deve ser, submissa, você precisa ser assim para ficar aqui, na minha mão. 

 

Nessa hora, a Bispa percebeu que não era ele, mas que ele estava possuído, imediatamente  ela foi tomada por uma autoridade do Espírito Santo, e ordenou: 

 

  • Satanás, pode sair da vida dele agora, em nome de Jesus. 

Então, ele incorporou, e ela começou a orar: 

 

“Pode sair da vida dele agora, em nome de Jesus. Vai saindo de ré, da vida dele e da minha casa, eu nunca serei submissa a você, porque eu sou submissa ao meu Deus. E nunca vou ficar na tua mão, porque o meu nome está escrito na palma da mão do meu Deus. Quem sofreu na cruz do calvário foi o meu deus pela minha vida, e pela vida dele. Então, pode sair, em nome de Jesus. 

 

Na hora, ele voltou a si, e ela perguntou novamente se ele a perdoou, e ele disse: 

 

“Eu que tinha que estar te pedindo perdão”. 

 

Na hora, a Bispa foi curada e  a dor do tornozelo passou.

 

“Eu sempre preguei a paz, a união, o perdão, e eu preciso ser o espelho”. 


 

Após este evento, ouça a pior dor e VIOLÊNCIA  vivida pela Bispa: 








 

 

Após o estupro, o marido foi diagnosticado com  elefantismo. Ao longo de 15 anos, Bipa Vera cuidou do marido, que acabou se convertendo. Doente, muitas vezes, sem conseguir se levantar, pedia perdão aos filhos e à esposa todos os dias, até a sua morte. 

 

Hoje, a Bispa Vera Nogueira é uma sobrevivente de vários tipos de violência e opressão.

 

Líder da Igreja Pentecostal Socorrista do Senhor, localizada em uma das regiões mais perigosas do Rio de Janeiro, na comunidade de Itaúna, no Salgueiro, em São Gonçalo. 

 

Para sua proteção e dos fiéis, a igreja é toda engradada,  em decorrência dos frequentes tiroteios e mortes que há no local. Por isso, Vera sofre de hipertensão, com frequentes dores de cabeça que a deixa acamada em vários momentos. 

 

Ao longo de sua vida foi vítima de violência doméstica e estupros maritais. Evangélica e ministra da palavra, Bispa Vera permaneceu no relacionamento abusivo até a morte de seu marido. 

 

Atualmente, ela ajuda crianças da comunidade que sofrem com o desamparo do estado e da precariedade de assistências básicas como alimentação, educação e saúde, além de ajudar mulheres vítimas de violência. 

 

 

 

Confira a pregação exclusiva da Bispa Preciosa, Vera Noronha: 

FOTOS |  DIA  DE PRECIOSA / DEBORAH   GOMES 

VERA  CONFIRMOU  QUE  ELE  TENTOU   VIOLENTÁ-LA  NOVAMENTE,

MAS  ELA  OROU  E  NÃO PERMITIU  QUE  ACONTECESSE.  

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FOTOS |  DIA  DE PRECIOSA / DEBORAH   GOMES 

MAKING OF

PRECIOSA 

Bispa  Vera Noronha fez parte do "circulo de oração" do Projeto Preciosa, trazendo uma palavra e oração 

para as Preciosas. 

Semanalmente, o Projeto Preciosa convida pastoras, missionárias e evangelistas para trazer uma palavra ou oração profética de cura e denúncia. 

Para conferir, acesse a playlist "ORAÇÃO  PROFÉTICA" 

( Reprodução/ Youtube )

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