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ILUSTRAÇÃO:  PROJETO PRECIOSA

| PENHA |

LEI  MARIA  DA  PENHA 

& O  

PAPEL  DAS  IGREJAS

AONDE  ESTÁ A JUSTIÇA DAS  MULHERES NA IGREJA  BRASILEIRA?   
THIS WOMANS WORKKATE BUSH

OUÇA  ENQUANTO  LÊ

MARIANA  DOMIN

FOTO |  Reprodução/ Divulgação

" ESTA(S)  MULHER(ES) "

 

 

 

É importante sublinhar que a discriminação da mulher no contexto bíblico não se dá em todo tempo. Diga-se de passagem, pesquisas já chegaram a apontar uma CULTURA MATRIARCAL no início do povo de Israel (cf. Schottroff, 2008; Zabatiero, 2013). Contudo, no que tange ao período pré-monárquico, podemos apenas afirmar que houve uma participação maior das mulheres na sociedade. No percurso da história é que a disparidade dos papéis (no âmbito religioso e político) teria gestado não somente desigualdade, mas também construído a IMAGEM  DA  MULHER INFERIOR AO  HOMEM (Winters, 1993, p. 16-27).

 

Esse tipo de interpretação se dá a partir da construção do texto de Gênesis, no século VI, no exílio babilônico. O primeiro relato da Criação (Gn 1,1-2,4a) sugere que homem e mulher são TSÉLEM (imagem) de Deus. Essa imagem é comum no Oriente antigo. TSÉLEM  DE  DEUS  É  TSÉLEM  FÍSICA, CONCRETA, REAL  NO  MUNDO (Von Rad, 1977, p. 72).

 

  • Ainda que o primeiro relato indique igualdade, o fato dos pronomes utilizados para Deus e para Adão serem masculinos sugere que os homens são os representantes coletivos apropriados deste Deus, enquanto as mulheres, embora  compartilhem os benefícios da soberania humana corporativa, ficam submetidas ao governo e à cabeça masculina da família (Tepedino, 2003, p. 158).

 

  • O segundo relato da Criação (Gn 2,4b-3,24) sublinha a negatividade da mulher. O termo ‘ezer (= auxiliar) aparenta, à priori, inferioridade. Tepedino, no entanto, chama a atenção para o fato de que ‘ezer  possuir vários usos no Antigo Testamento:

 

Pode ser um nome próprio para homem. Em nossa história ele descreve os animais e a mulher. Em alguns lugares, caracteriza a divindade: Yahweh é o auxiliar de Israel que ele cria e salva. Desta forma “auxiliar” é um termo relacional que designa uma relação de benefício para Deus, para as pessoas, para os animais. Em si, o termo não especifica posição dentro das relações, e ainda mais não implica em inferioridade. (Tepedino, 2003, p. 158)

 

A narrativa foi compreendida por grupos judeus colocando a mulher inferior ao homem por ter sido criada em seguida.

 

Há dois textos do Novo Testamento que organizam essa ideia da seguinte forma:

  • Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem. (1 Co 11,8-9)

 

  • Porque Adão foi criado primeiro, e Eva depois. E mais, Adão não foi enganado;

mas a mulher é que foi enganada e caiu em transgressão. (1 Tm 2,13-14)

 

Percebe-se que a prioridade masculina tem relação direta com a primogenitura.

Levando-se em consideração que o líder do clã era homem,  justificava-se,

religiosamente, que o primeiro filho deveria nascer homem, fazendo alusão

à criação. A mulher deveria tão somente aceitar sua condição de

propriedade (cf. Ex 20,17).

 

Para além da hermenêutica aplicada nos textos da Criação, a passagem de Gn 3,1-24,

que trata da queda, também foi utilizada para culpar a mulher. Segundo a tradição,

é a mulher quem tenta o homem a pecar. A imagem que se faz é que ela se tornou a mediação

do mal para a humanidade e, consequentemente, para a instauração do caos. Ao posicionar a figura feminina na narrativa da  Mulher Adúltera, pode-se perceber a escola que fomentou/influenciou a leitura de escribas e fariseus e que, consequentemente, deu forma ao imaginário do(s)/a(s) autore(s)/a(s). A pergunta que o artigo levanta é se esses partidos têm razão quando pedem a pena de morte da adúltera?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As pesquisas realizadas por Pierre Bourdieu nas décadas de 1950-1960, na sociedade dos beberes da Cabila, norte da Argélia, afirmam que não é a diferença sexual que justifica a dominação masculina. O sociólogo francês procura explicar a  SUBMISSÃO DA MULHER como resultado de uma relação de dominação na história, na cultura, na construção linguística etc. que é (con)firmada, internalizada e reproduzida pela religião e outras estruturas estruturantes gerando, assim, a VIOLÊNCIA SIMBÓLICA (cf. Bourdieu, 2002).

 

A religião aponta o ethos ideal, uma moral alicerçada nos valores patriarcais, cujas estruturas históricas têm o  poder de moldar no inconsciente social a superioridade masculina. Esse molde é mediado pelo simbolismo das Escrituras Sagradas na liturgia – liturgia essa que se faz estendida para as

relações no mundo, contudo, de maneira desigual, como realça Gebara:

 

Os valores e as virtudes propostos pelo cristianismo não foram

vividos, no tempo e no espaço, nos diversos territórios culturais,

da mesma maneira pelos homens e pelas mulheres. Se para os

homens, os valores e virtudes puderam tornar-se expressão de

amor, para as mulheres puderam tornar-se fonte de opressão e de

humilhação. (Gebara, 2000, p. 153)

Na Idade Média, por exemplo, o céu era garantido para as mulheres que se

assemelhassem ao arquétipo mariano. Nos séculos XI e XII, o culto mariano

ganhou destaque para inspirar a vida quotidiana  das mulheres (Belizário, 2006,

p. 18). Considerando essas informações, assim, compreende este artigo,

se ajusta a manutenção do domínio masculino na religião:

1º - leitura  dos textos sagrados a partir de hermenêutica confessional/

estética/política

2º -pregação dos textos sagrados segundo hermenêutica confessional/ política

 

3º - interiorização dos textos sagrados para a vivência do ethos, que é determinado pela hermenêutica confessional/estética/política lançada sobre ele; 

Da leitura de textos sagrados, passa-se pela liturgia até a incorporação dos costumes, das representações, dos valores sagrados etc. A essa reprodução Bourdieu chamou de habitus (cf. Bourdieu, 2002). Os componentes desse habitus sugerem cooperação e conveniência daquele que é o dominado –  neste caso, a mulher. Ela incorpora a relação de poder como algo natural, acreditando, inclusive, ter sido essa a condição estabelecida pela religião. O

habitus  é  irrefletido. Uma vez incorporado na sociedade ou no grupo, é visto como algo natura.

 

ESTAS MULHERES

FOTO |  Reprodução/ Divulgação

BOURDIEU & A "VIOLÊNCIA SIMBÓLICA" 

DA ESTRUTURA RELIGIOSA

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