submissão biblica-  Lillianna Pereira-.p

| ADÃO |

A  INTERPRETAÇÃO  MACHISTA  

NA  IGREJA

UMA  ANÁLISE  INTERPRETATIVA
DA  BÍBLIA
Chico Buarque Mulheres de AtenasCHICO BUARQUE

OUÇA  ENQUANTO  LÊ

SILVIO   GOMES

FOTO |  Reprodução/ WIKIPEDIA

" ESTA(S)  MULHER(ES) "

 

 

 

Portanto, quando se defende a clareza, ou obviedade de um texto de mais de mil anos, como os textos bíblicos, há de se desconfiar. Primeiro porque que estamos distantes do idioma original, essencialmente hebraico ou grego koiné , a depender do texto lido; segundo que estamos bem mais distante das diversas culturas envolvidas nos textos. O que nos afasta, ainda mais, das referências que os autores possam estar utilizando. Não que hoje, com o aprofundamento da pesquisa bíblica, não se possa ter acesso a essa ou aquela informação que facilite tomar uma posição. Porém, considerando que lemos o texto em português, é preciso já se aceitar que nossa interpretação está sendo mediada por terceiros. Quem traduz, certamente, interpreta o texto que está traduzindo. Logo, lemos e interpretamos textos já interpretados. Não é incomum encontrar algum exegeta que proponha que essa ou aquela palavra seria melhor opção de tradução. Tal posição demonstra uma discordância da interpretação feita pelo tradutor. Enfim, não existe, em hipótese alguma, texto lido sem interpretação. Não há clareza que dispense algum sentido de compreensão do texto.

 

E o que isso tem a ver com um blog que trata sobre o feminismo ou a luta sobre os direitos da mulher? Há uma ferramenta interpretativa, ou um viés interpretativo que tem, durante séculos, sido utilizado na aproximação do texto bíblico: O CAMINHO MACHISTA. Não se trata aqui de erguer um argumento teológico a favor do ministério pastoral feminino, ou da igualdade entre marido e mulher. Mas de compreender qual o caminho adotado para que assuntos como esses não tenham sido superados ainda. Há, inclusive, certa incongruência que demonstra o que foi dito antes:

 

"Fundamentalismo é uma interpretação do texto bíblico, não é a leitura literal, ou desprovida de método ou caminho interpretativo. Por exemplo,  igrejas chamadas de históricas, que afirmam que mulher não pode ser pastora, e o neopentecostalismo, exemplo comum de cristianismo fundamentalista, em muitas de suas expressões, garantem total liberdade para o ministério pastoral feminino; Não há acordo, porque há interpretação. Aos olhos do primeiro, se estaria inventando, inovando no texto bíblico, o que não é permitido. Para o último, o pensamento anterior é retrógrado, e há necessidade de se evoluir. Em outros momentos, entretanto, a situação se inverte. Enquanto que, nessas determinadas igrejas históricas, a mulher tende a ser tratada com seus direitos civis garantidos, há expressões do neopentecostalismo que controlam suas roupas, sua maquiagem, seu trabalho e submete sua vontade a de seu esposo. Não, não há coerência. Tanto lá, quanto aqui, o que há é machismo como viés interpretativo, de acordo com a conveniência do homem, do macho.

 

Embora ambos, nesses e em outros pontos, ergam argumentações que se parecem isentas

de parcialidade machista, alegando estarem, na verdade, sendo fiéis a preceitos bíblicos,

o que há, de verdade, É MACHISMO PURO E SEM PUDOR. Não se pode aceitar que em

pleno século XXI exista lugar, entre nós, de uma religião cristã que diminua a

capacidade intelectual e espiritual da mulher ao negá-la o sacerdócio católico ou

o ministériopastoral. Como é inadmissível que existam religiões que se dizem

cristãs e, por uma razão puramente de controle sexual, interfiram na pele, no

cabelo, na roupa feminina e no seu comportamento social, submetendo à

vontade de seu marido.

 

Gerando inúmeras mulheres que se fazem felizes, que aceitam, por chantagem

espiritual, uma situação que, por ética, deveria ser chamada de criminosa.

Não pode ser coincidência que 40% das mulheres que sofrem violência doméstica

são evangélicas (dados de 2018). Recentemente, um clipe da Cassiane demonstrou

o que está por trás disso: um tipo de ideologia do perdão. A exploração, a chantagem

espiritual para que mulheres aceitem, sob constante oração e perseverança (em outras

palavras, silenciadas socialmente), traições, humilhações, todo tipo de violência psicológica

e até física.

 

O que ministério feminino e submissão ao marido têm a ver com isso? De toda e qualquer maneira, tudo. Há, por trás dessas interpretações, um desejo infantil, imaturo e machista de controlar a mulher. De submetê-la aos desejos de homens.

 

Quando uma mulher não pode participar da liderança de uma comunidade de fé, ou de comunidades de fé, pensando em uma presidência de uma denominação, por exemplo, tudo o que acontecer, nessas comunidades, com as mulheres, passará pelo crivo masculino. Serão sempre homens a decidir o que uma mulher deve ou não fazer. Os desejos e necessidades das mulheres, que muitas vezes só podem ser compreendidos a partir dos olhos delas, terão que ser submetidos à análise, à aceitação e ao debate entre homens. Tratam-se de igrejas, a nível institucional, com rosto e comportamento essencialmente masculino. Isso é um problema? Sim. Pois em Cristo não somos nem homens e nem mulheres, como diz Paulo. A barreira sexual é derrubada, com Cristo. E como ela seria realmente derrubada a não ser com direitos e deveres semelhantes?

 

Quando mulheres são obrigadas à submissão ao marido e, ao mesmo tempo, chantageadas espiritualmente a assumirem que fazem isso de bom grado e sob a direção divina, abrem-se precedentes dos mais violentos. Desde a violências mais escancaradas, que fazem com que elas se tornem 40% das brasileiras que sofrem com violência doméstica, até àquelas mais silenciosas, que podem ser interpretadas e compreendidas como dever feminino: o dever do sexo; a aceitação de que homem trai mesmo; o dever da comida sempre pronta, mesmo fazendo jornadas triplas e morando com homens que fazem única jornada; o dever do cuidado dos filhos dividindo o não essencial com o esposo; o dever da arrumação da casa, quando muito, contando com a ajuda do marido que se torna um ótimo partido por "ajudar em casa"; o dever do estar sempre bonita; o dever do silêncio, diante do fato de não conseguir ser a bela sempre, assistindo os olhares que o esposo lança para essa ou aquela mulher que parece se enquadrar em tal exigência de beleza, alimentando as brigas e as desconfianças entre mulheres; o dever de não ter opinião; a o dever de ter um chefe em casa, no lugar de um parceiro de vida; o dever de ser a "mulher sábia que edifica sua casa", que é, na verdade, um sinônimo ao silêncio, à aceitação dos males e à compreensão de que tudo o que acontece de ruim é culpa dela, na verdade.

 

Tudo isso acontece dentro e fora da igreja. Afinal, existem as que somam 60% que não são evangélicas. Contudo, na igreja, tais violências são alimentadas e ensinadas ao se utilizar o caminho machista de interpretação da bíblia. Há quem diga que a bíblia é machista. Quem afirma isso, compreende o texto bíblico como filho de seu tempo, ou como um único livro, escrito na mesma época e tendo, inclusive, acordo entre seus diversos escritos. A Bíblia é uma biblioteca. Como tal, há inúmeros livros que, inclusive, por vezes, discordam um do outro. Há textos significamente misóginos. Por outro lado, há outros bem libertadores e, inclusive, garantidores dos direitos da mulher. Os textos bíblicos, antes de estarem em uma coleção que chamamos de Bíblia, testemunharam diversas sociedades e diversos tipos de construções sociais. Avanço e recuo em sistemas de direitos amplos. Mais do que uma determinadora da história, a Bíblia é uma testemunha do que deu certo e do que não deu. Como todo e qualquer livro, carece de interpretação. E fica a pergunta: como a mente não machista interpretaria esses textos que calam as mulheres? Caso não se tenha aparato ou ferramental necessário para compreender tais textos, como se interpreta a consequência desses textos? Como impedir que tais coisas existam?

 

É fato que os mesmos que querem a mulher submetida, afirmam que o texto bíblico também diz que o homem deve amar a esposa como Cristo amou à igreja: ao ponto de dar a vida por ela. Tal lembrança, porém, serve mais ao desejo de encobrir o machismo ensinado do que realizar um ajuste que se pensa necessário.  Mora, aí, um grau elevado de dissimulação, um verdadeiro fingimento. Do início ao fim da interpretação, o que governa é o caminho machista. Enquanto a igreja não compreender-se machista, não entender o pecado social que isso gera, não aceitar sua parcela de culpa em todo essa violência e feminicídio brasileiros, estaremos fadados a repetir casos vergonhosos de abusos de marido, namorados, noivos e de pastores (que fazem uso da posição de autoridade para cometer abusos de todos os níveis).

 

Não há necessidade de discutir teologicamente se mulher deve ou não ser submissa ao marido. É total perda de tempo que se debata argumentos exegéticos se mulher pode ou não ser pastora. A única necessidade é que se abra mão do método, ou caminho interpretativo machista. Quando isso acontecer, a obviedade dispensará argumentações exegéticas. Não que a obviedade dispense interpretação. Como um texto escrito, o óbvio carece de intérpretes, porém, para que isso aconteça, a obviedade, pelo menos, precisa ser dita.

 

 

 

 

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m grande equívoco da leitura bíblica é aquela que age como se determinados textos não precisassem de interpretação, por serem, supostamente, claros. Esse erro não entende que NÃO EXISTE TEXTO LIDO SEM INTERPRETAÇÃO. Pode-se ter dificuldade consciente para interpretar, por conta do método de interpretação adotado. Porém, qualquer conclusão que se tira de um texto, obrigatoriamente, vem de um caminho interpretativo adotado. Não existe texto que possua palavras que descartam interpretação. O próprio autor, necessariamente, precisa interpretar seu texto para avaliar sua compreensão. Afinal, todo texto possui um destinatário e é esperado que este tenha as ferramentas necessárias para que a comunicação seja realizada. Normalmente, as ferramentas mínimas necessárias de um texto são: compreensão do idioma utilizado; conhecimento cultural necessário para intertextualização ou referências que estão sendo usadas no texto (por exemplo, ao invocar a expressão "Terra do Nunca", se faz necessário que o destinatário conheça a história do Peter Pan); e alguma familiaridade com o autor ou com o assunto abordado.

"MULHER, SEDE  SUBMISSAS

AOS  SEUS  MARIDOS"

EFÉSIOS

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SILVIO  GOMES   MESTRE   EM   CIÊNCIAS   DAS   RELIGIÕES   ESPECIALISTA    EM   CIÊNCIA  POLÍTICA  E  GRADUADO  EM  TEOLOGIA.  ASSOCIADO  DA   ABIN   ( ASSOCIAÇÃO  BRASILEIRA   DE   PESQUISA   BÍBLICA), AUTOR   DE   ARTIGOS   E    LIVROS   NA   ÁREA   DE TEOLOGIA   BÍBLICA   E    ROMANCISTA. 

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